segunda-feira, 23 de junho de 2014

Contributo da Opus Gay

PAPA FRANCISCO,16 JUNHO 2014

"Não podemos tolerar que os mercados financeiros decidam a sorte dos Povos, em vez de responderem às suas necessidades, e que um pequeno número de pessoas possa amassar grandes fortunas graças à especulação."

Cidadãos e cidadãs!  

É o  Papa Francisco  que  nos dá o mote dos tempos que estamos passando, relativamente à grave crise que aflige a Humanidade, aflige os cidadãos e martiriza os portugueses. 
O momento que vivemos é de austeritarismo assassino, austeridade dizimadora do quotidiano dos nossos cidadãos e muito particularmente das minorias, e em especial dos LGBT.

A luta mais global que travamos neste momento é contra a homofobia, pois nuns países mata, noutros proscreve e noutros discrimina.

A crise económica, social e política que atravessamos apela à unidade das forças que temos, para destruir os novos fascismos, os novos totalitarismos mascarados de fundamentalismos religiosos, ideológicos e económicos, sejam eles muçulmanos, cristãos ou judeus. 

Temos de  lutar definitivamente contra a homofobia como luta global, travada a diferentes níveis, por todos os cidadãos que respeitam os Direitos Humanos, independentemente das orientações sexuais, pois sem o respeito dos direitos humanos não há Democracia. Aqui em Portugal, a Igreja Católica tem a sua responsabilidade e ainda não ouvimos dos nossos bispos as palavras conciliadoras do Papa.

Este é o momento de apelar a todos, nomeadamente aos LGBT, para que se consciencializem, participem  na vida pública, e reivindiquem os direitos que nos querem retirar, sem prejuízo de cumprirmos a todos os níveis as nossas obrigações,  como cidadãos de pleno direito.

Até ao presente, graças à nossa presença na Comunidade Europeia, conseguimos avanços importantes no plano da igualdade e da cidadania, mas ainda há caminhos a percorrer. 
Não podemos deixar passar o problema da adoção e coadoção, o problema na discriminação de sangue pelos gays, o problema da violência doméstica no casal ou na família – praga social que atravessa a nossa sociedade, sem olhar a classes – o problema do machismo  que aflige as mulheres, o problema da discriminação no local de trabalho, o problema do desemprego de que são vítimas os LGBT, prioritariamente, e na área dos Afetos a necessidade de uma educação para o Amor, para além da educação sexual nas escolas.

A OPUS GAY, consciente do difícil momento histórico que atravessamos em Portugal, tem como obrigação moral e ética lutar com os portugueses para a reconquista dos direitos perdidos e pela Igualdade, e lutar pelos e com os LGBT portugueses, de toda a Europa, e de todo o mundo, em prol do respeito pelos jovens nas escolas vitimas de bullying, pelos idosos LGBT cada vez mais isolados na nossa sociedade e a precisarem de uma solidariedade efetiva.

Solidariedade também com os   bis casados, que se auto-obrigam a uma clandestinidade e duplicidade destrutiva, Com os LGBT isolados nas aldeias e vilas deste país, onde o ruralismo atávico não lhes permite a assunção plena de uma sexualidade construtiva, de uma vida plena e feliz, que possa contribuir para o bem-estar individual e coletivo dos redes sociais em que estamos todos inseridos, e enfim, com as ONG e Associações  que trabalham  neste setor e se sacrificam  diariamente para consciencializar e defender todos e todas das dificuldades que atravessamos. 

Caros cidadãos, caros amigos, caros LGBT, todos os dias, a Luta Continua. 

20 de Junho de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Contributo: GAT

Neste último ano dois estudos feitos em Portugal (Stigma Index e 30 anos, 30 mitos do VIH/sida) documentam aquela que é a experiência diária das pessoas que vivem com o VIH. Trata-se de experiências de incompreensão, medo e rejeição por parte das pessoas que lhes são próximas na família, no trabalho e nos cuidados de saúde. São situações que alimentam e perpetuam o estigma, a discriminação e a invisibilidade. Só em Portugal são mais de 30000 as pessoas diagnosticadas com VIH. São os nossos parceiros, amigos, colegas e familiares. Mas invisíveis. Num armário. Para muitos, um segundo armário. 

Também sobre isso sabemos muito. Nós, a comunidade LGBT, uma comunidade muitas vezes invisibilizada e estigmatizada. E que na busca da aceitação e da normalização social repete padrões, omissões e rejeições. Como se o VIH não tivesse lugar na nossa comunidade. 

Vivem-se no entanto momentos decisivos e de mudança na história desta infeção. Sabemos hoje que as respostas nesta área passam por:

- conhecer a infeção (compreender onde estão a surgir novos casos, em que regiões do país, em que populações e em que faixas etárias);

- diagnosticar cedo e tratar a infeção reduzindo a transmissão;

- Aliar, na prevenção, ferramentas antigas (preservativo) e novas (intervenções farmacológicas);

- Garantir os melhores cuidados e salvaguardar os direitos das pessoas que vivem com o VIH. 

Trata-se, portanto, de afinar estratégias, de mobilizar recursos e capital humano, de combinar ciência e direitos humanos. Para que tal aconteça de forma verdadeiramente mobilizadora é necessário uma mudança na forma como lidamos com esta realidade. É necessário que as associações e a comunidade em geral falem sobre a infeção pelo VIH e sobre o aumento do número de novos casos entre a população de homens gay, bissexuais, outros homens que têm sexo com homens e mulheres trans.

Não podemos manter o mesmo discurso e atitudes dos últimos 30 anos, nem podemos ignorar a realidade.

Por tudo isto lá estaremos no dia 21, na Marcha, com orgulho e visibilidade. 




terça-feira, 17 de junho de 2014

Contributo: rede ex aequo

A rede ex aequo vem uma vez mais para a rua com o propósito de:

- Combater a invisibilidade das pessoas LGBT;
- Erradicar o insulto baseado na orientação sexual e identidade ou expressão de género;

- Minimizar o isolamento dos jovens LGBT;

- Sensibilizar para um verdadeira inclusão dos jovens LGBT na sociedade, especialmente em meio escolar

- Alertar para o combate ao bullying

- Exigir uma monitorização do ensino da Educação Sexual nas escolas, e especialmente a inclusão da temática da orientação sexual e identidade de género;

- Requerer um comprometimento efectivo das instituições de ensino no combate à homofobia, bifobia, transfobia;

- Dar a possibilidade aos jovens LGBT de crescer e desenvolver a sua sexualidade, sem medo de exclusão;

- Garantir que os jovens LGBT crescem sabendo que podem recorrer à procriação medicamente assistida e à candidatura à adoção enquanto casal;

- Exigir a aprovação de uma lei que possibilite a co-adoção em casais do mesmo sexo;

- Rejeitar o insulto feito pela Assembleia da República ao aprovar a passada proposta de referendo.

No próximo sábado, marchamos com orgulho em ser como somos! Vem também!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Contributo: associação ILGA Portugal

No ano em que uma maioria no Parlamento mostrou que o preconceito era suficientemente forte para justificar um ataque aos direitos das nossas crianças e o desprezo pelas obrigações de Portugal com os Direitos Humanos, é fundamental marcharmos com ainda mais orgulho em recusarmos o preconceito.

E num ano em que o nosso Observatório pela primeira vez permitiu denunciar de forma sistemática a discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género, os números que recolhemos mostram que é mesmo importante marcharmos contra todos os armários do silêncio e do silenciamento.
Vamos por isso celebrar o trabalho que já fizemos e reivindicar com ainda mais energia todo o trabalho que falta fazer pela igualdade para as pessoas LGBT:

- todos os direitos relativos à parentalidade em casais do mesmo sexo, da procriação medicamente assistida à adoção; 

- todas as proteções na lei contra a discriminação em função da orientação sexual e da identidade de género (que tem que ser incluída na nossa Constituição e no Código do Trabalho, à semelhança do que já acontece no Código Penal) e contra a discriminação múltipla;

- o acesso efetivo e urgente das pessoas LGBT a todos os setores fundamentais com ênfase na segurança e justiça, educação, saúde e segurança social, o que implica a formação adequada de profissionais de todas estas áreas.

Venham marchar connosco e venham sentir que temos direito a afirmar a nossa orientação sexual e a nossa identidade de género sem hesitações. Venham connosco sentir a liberdade e sentir que a rua é nossa e que o espaço público é também nosso. Venham connosco partilhar o enorme orgulho em lutarmos pela igualdade e pela valorização da nossa diversidade.

Em conjunto temos cada vez mais força: junta-te a nós!

terça-feira, 10 de junho de 2014

Contributo: ActiBIstas

A bissexualidade é tendencialmente apagada das manifestações públicas de orgulho e/ou reivindicações LGBT* - Lésbicas, gays, bissexuais e trans. O colectivo pela visibilidade bisexual actiBIstas surgiu para combater preconceitos, destruir mitos e lutar contra a marginalização e invisibilização de que habitualmente as pessoas bissexuais são alvo, dentro e fora das comunidades LGBT.

Na marcha deste ano celebramos o nosso primeiro ano de existência, celebramos o orgulho bi, celebramos a liberdade de poder existir, sem constrangimentos relativos a quem amamos e com quem nos relacionamos. 

Importa acrescentar que a bissexualidade, além de não ser uma identidade encerrada, funciona em articulação com todas as pessoas, e aglomera-se e articula-se com outras identidades como a pansexualidade, a omnisexualidade, a fluidez sexual, até a heterossexualidade, bem como com várias orientações relacionais, como a monogamia, o poliamor, as relações livres, etc. Buscamos relações afectivas que se pautem pela igualdade, que combatam a misoginia, que destruam estereotipos de género e outras dinâmicas de poder prejudiciais a quaisquer interacções entre pessoas. 

A bifobia é uma realidade que vivemos quase diariamente. Há quem nos invisibilize, diga que não existimos, que estamos confusxs, que não sabemos o que queremos, que vamos aprender a amar “como deve ser”. Há quem diga que somos promíscuxs, que não conseguimos manter relações de compromisso, ou que somos egoístas e queremos tudo para nós. Isto acontece junto dxs nossxs amigxs gays e lésbicas e também com heterossexuais. Estamos na Marcha do Orgulho Gay, Lésbico, Bissexual e Trans* para dizer que a nossa identidade não é sinónimo de confusão. Que podemos ser promíscuxs se quisermos e não o ser, se não quisermos: e não há nada de errado nisto. Que não estamos confusxs por gostarmos de homens e mulheres, ou até por não ligarmos ao género. Que as nossas escolhas são tão válidas e honestas quanto as de qualquer gay e lésbica e hetero. Que é a maneira como estamos com as pessoas e como construimos as nossas relações que conta e não o conteúdo ou forma destas relações. Que temos direito à visibilidade e à nossa história. Quant@s de vocês sabem que uma das pessoas responsáveis pela organização do primeiro Pride foi uma mulher bissexual chamada Brenda Howard (1946-2005)? As pessoas bissexuais estão presentes na história do movimento LGBT desde o seu início, bem como todos os dias, não podendo continuar a ser apagadas dele.

Estaremos nesta marcha para dizer que também temos direito a este espaço. Que a exclusão e discriminação que vivemos no meio hetero e no meio LGBT têm que parar. Este é também o nosso lugar. 

Estaremos nesta marcha também porque vivemos num país e numa Europa em mudança, que não se avizinha amigável para pessoas estigmatizadas, que ameça estabilidades sociais, afectivas e financeiras de todas e todos. Estaremos presentes porque continuamos a querer direitos iguais e a merecer respeito e liberdade, e não nos satisfaremos com menos do que isso. 

ActiBIstas- colectivo pela visibilidade bissexual

domingo, 8 de junho de 2014

Contributo: Clube Safo

Em nome duma dívida que não é nossa querem impor-nos de novo uma vida austera, um ideal salazarista. A quem diz que tal acontece porque ousamos viver acima das nossas possibilidades respondemos que alargar o campo das possibilidades é a principal tarefa duma sociedade solidária, generosa e amante da vida. É este espírito solidário e festivo que querem retirar-nos do sangue e é contra esta investida fascista que exigimos:

- direitos reprodutivos para todxs, nomeadamente o acesso de todxs a técnicas de reprodução medicamente assistida, quer se identifiquem como pessoas transgénero ou cisgénero

- direitos parentais para todxs, nomeadamente direitos de adopção e co-adopção, quer se trate de família monoparentais, biparentais ou poliparentais

- políticas de discriminação positiva no acesso à saúde, emprego, educação e habitação, tanto mais quanto maiores forem as discriminações a que estão sujeitxs xs cidadãos, em particular se não brancos, nomeadamente as lésbicas/ trans mães solteiras e as famílias poliparentais com filhos

Clube Safo

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Contributo: PolyPortugal


O grupo PolyPortugal participa na Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa para dar visibilidade à forma como a nossa sociedade heterossexista é também uma sociedade mononormativa.

Lutamos pelo fim do privilégio dedicado às ligações monogâmicas no que toca ao acesso a benefícios fiscais e financeiros no acesso à habitação ou no sistema de impostos, considerando que não é papel do Estado policiar o número de pessoas que fazem parte de uma dada relação, ou que maneiras isso constitui a criação de uma família-ideal estatalmente patrocinada, que não reflecte a pluralidade das vivências e famílias em Portugal, em 2014.

Consideramos ademais que isto é particularmente grave tendo em conta o actual estado económico do país, ou as necessidades de revitalização urbana que se fazem sentir mas que, ao mesmo tempo, são deixadas como possibilidade apenas para alguns. Ao mesmo tempo, notamos a inconsistência entre as preocupações estatísticas com assuntos de parentalidade e natalidade quando, mais uma vez, a parentalidade se faz forçosamente associar à figura do casal monogâmico.

Apelamos a uma pluralidade de ligações, de intimidades e de formas de vida como estratégia social e humana para resistir à crise - a união de pessoas, esforços e recursos para além do par, do casal, do número dois e da segregação e segmentação que tanto alimentam o ímpeto ao consumismo e que nos deixam expostxs ao desemprego, ao sub-emprego e à precariedade nas suas várias facetas.

PolyPortugal
www.polyportugal.org

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Bichas na Marcha. Marcha nas Bichas.

Estaremos na marcha do orgulho LGBT de Lisboa porque reconhecemos a importância de nos representarmos a nós próprias, com toda a diversidade de expressões, orientações e identidades que temos. Porque todas somos diferentes, todas temos de ser valorizadas, todas merecemos ser reconhecidas e representadas.

Porque existimos. Porque temos orgulho daquilo que somos, não temos vergonha. Porque já chega de sermos silenciadas, desrespeitadas, ignoradas.
Porque sabemos que é preciso continuar a lutar, a festejar e a reivindicar, e que, só assim, é que mudamos a sociedade: existindo. Reconhecemos que as lutas se fazem com visibilidade, na rua, no meio das pessoas, com caras às quais possam associar reivindicações, experiências e vivências.
Porque o armário não nos serve, nunca nos serviu. Porque vivermos vidas anónimas e escondidas não nos traz os reconhecimentos políticos e sociais de que necessitamos.
Porque temos vivências, perspectivas e necessidades específicas que têm de ser reconhecidas, respeitadas e valorizadas.

Porque não nos contentamos com um activismo fracturado. Queremos um activismo intercessional, feminista, queer, trans*, anti-racista, anti-capacitista e pleno.
Porque a austeridade nos prejudica, quando acentua a vulnerabilidade de todas as minorias e também da nossa. Porque sabemos que em climas como o de actual recessão, com a crescente precarização das condições laborais, as pessoas mais vulneráveis (como as pessoas LGBT) são as primeiras a ser afectadas; a ficar sem emprego e sem formas de lidar com a insegurança.
Porque vivemos numa realidade política (tanto a nível nacional com o recente chumbo da co-adopção na Assembleia da Républica, como europeu, com o crescimento assustador de movimentos de extrema direita no Parlamento Europeu) nada inclusiva, nada preocupada com questões de igualdade e de respeito pelos direitos fundamentais.
As Bichas estão na marcha porque ainda sentimos na pele o carácter homofóbico, lesbofóbico, bifóbico e extremamente transfóbico da sociedade actual. Onde as famílias homoparentais não são ainda reconhecidas, onde as pessoas LGBT são ainda vítimas de bullying na escola e no ambiente de trabalho, onde ainda se registam crimes de ódio homofóbicos e transfóbicos, onde as vivências das pessoas LGBT e as expressões não normativas de género e de orientação sexual são ainda silenciadas, desrespeitadas e desvalorizadas. Uma sociedade que ainda nos empurra para os nichos, para os guettos, para o fetiche e para o extremo.

Porque chega desta sociedade insegura para as pessoas LGBT, onde ainda somos obrigadas a viver escondidas e limitadas; com dificuldades acrescidas para atingirmos o nosso potencial, e vivermos vidas felizes e completas.

Por existirmos e resistirmos com orgulho, no dia 21 de Junho estaremos na Marcha do orgulho LGBT de Lisboa.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Convite a artistas - Marcha de Orgulho LGBT de Lisboa

A Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero de Lisboa gostaria de te convidar a dares o teu contributo a esta 15ª vez que saímos à rua em nome da liberdade e diversidade sexual. O lema deste ano é “Diversidade contra a Austeridade”, num reconhecimento de como este tema é transversal a todas as pessoas, afectando de forma particular as diversas minorias que representamos.

Porque a marcha e o activismo queer estão em constante evolução, e porque acreditamos que a marcha pode e precisa de ser revitalizada e desafiada, este ano decidimos convidar artistas para integrarem este evento através de intervenções políticas e/ou lúdicas alusivas ao tema do orgulho e da visibilidade queer+.

Nesse sentido, queremos convidar-te a fazer parte da iniciativa MarchArte - que reune o conjunto de intervenções, performances e artistas associados à marcha deste ano - tornando-a num lugar de mais criatividades, diferenças e perspectivas.

A marcha decorre desde o Príncipe Real até à Praça da Figueira. As intervenções poderão ser feitas em vários espaços da marcha, passando por intervenções pontuais em espaços específicos do percurso, a performances andantes ou apresentações no final da marcha. As possibilidades são variadas e, caso impliquem alguma especificidade a nível logístico, poderão ser discutidas e coordenadas com a comissão.

Os vários colectivos trazem as suas faixas, cartazes, megafones e adereços, e a comissão leva também uma carrinha e um sistema de som. No final do percurso, representantes dos vários colectivos apresentam pequenos discursos, visibilizando as principais questões políticas que defendem.

Dado o carácter voluntário inerente a todo o trabalho da marcha e também dada a ausência de apoios financeiros alocados a esta iniciativa, este evento é desenvolvido todos os anos numa lógica não-remunerada. E isto manifesta-se, desde o trabalho das pessoas da comissão organizadora (voluntárias elas próprias nos diferentes colectivos a que pertencem), até, neste caso, aos artistas que agora convidamos a apresentarem intervenções e performances. Por este motivo, pedimos atenção para o facto de as nossas capacidades logísticas e humanas serem muito limitadas.


Participar na marcha é fundamentalmente participar activamente na luta pelos direitos das variadas minorias associadas ao mundo LGBT+; é lutar por uma maior visibilidade destas pessoas, relações e identidades na esfera pública, e é acreditar que esta luta pode ser feita com entusiasmo, orgulho e festa. É também dizer que não há artes sem liberdade, nem criatividade sem luta pela diversidade de corpos, mentes e identidades. A arte pode ser activismo e o activismo pode fazer-se com as artes.

Estamos abertos às tuas propostas e sugestões de intervenção, contacta-nos até dia 11 de junho. Também podes aparecer sem enviar proposta e juntares-te simplesmente a nós.


Traz a tua arte e vem marchar connosco!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Algumas razões para uma presença trans na MOL 2014

Exigimos uma lei integral despatologizante de Identidade de Género, que pode ser igual e/ou semelhante à Argentina, bem como a fiscalização das avaliações a que as pessoas trans são forçadas a submeterem-se de modo a que sejam regidas não pelos preconceitos pessoais dos avaliadores, como acontece em demasiados casos, mas pelos últimos avanços científicos nestas matérias, enquanto durarem as avaliações forçadas.

Exigimos o fim do boicote feito pelos “especialistas” mais conservadores à lei de alteração de nome e sexo, que à revelia do espírito da lei só passam a declaração necessária para o efeito depois de terem dois relatórios de transexualidade, somam-se os casos em que as pessoas pura e simplesmente não têm o dinheiro necessário para proceder à respectiva alteração, desde que o o governo actual anulou a gratuidade do procedimento. Escusado será dizer que, simplesmente por o serem, as pessoas transexuais são das mais causticadas pelo flagelo do desemprego junto com os desempregados com idades a partir dos quarenta.

Exigimos a imediata cessação da intolerável intromissão da Ordem dos Médicos nos processos de transexualidade, com a autorização para as cirurgias, e o fim do desrespeito médico pelos seus pacientes, bem demonstrado pelo psicólogo Abel no Você na TV no ano passado, e por inúmeros casos diários em que as pessoas trans são invariavelmente tratadas pelo seu nome e género de baptismo num desrespeito total pela sua identidade de género..

Enquanto a transexualidade não for despatologizada, exigimos a imediata cessação de uma segunda avaliação, como acontece presentemente, bem como a imediata cessação da necessidade de autorização da Ordem dos Médicos para as cirurgias, bem como a eliminação imediata da menção no capítulo VIII, artº 72º nº 1: “a cirurgia não garante a satisfação sexual” que priva deste modo as pessoas trans de desfrutarem de uma vida sexual plena e satisfatória, entrando mesmo em contradição com a continuação do mesmo quando estipula que a cirurgia “visa sobretudo contribuir para o equilíbrio psicológico”. Como se sabe hoje em dia não existe equilíbrio psicológico pleno sem uma vida sexual plena e satisfatória.

Exigimos também a descentralização das cirurgias, concentradas presentemente em Coimbra, de modo a permitir que as pessoas trans possam ter acesso às mesmas, coisa que presentemente não acontece por evidentes razões económicas, impossibilitando deste modo o seu acesso, bem como o uso standard das técnicas cirúrgicas desenvolvidas em Portugal, que dão garantias de uma vida futura plena em todas as suas ramificações, para o cumprimento do artº 31º do Código Deontológico da Ordem dos Médicos que estipula a obrigação médica de prestação dos melhores cuidados, o que não acontece presentemente com o uso de técnicas cirúrgicas mais arcaicas e de resultados menos satisfatórios.

Exigimos também o retorno imediato da gratuitidade nos pedidos de alteração de nome e género para que as pessoas trans não sejam impedidas de realizar essa alteração por motivos económicos, o que provoca indiscutíveis situações de discriminaçáo bem como a garantia plena do cumprimento rigoroso do nº 1 do artº 1º da lei 7/2011 que garante a natureza secreta deste procedimento que ainda há bem pouco tempo foi violado pelo jornal Correio da Manhã.

Mais razões haveriam para o efeito, mas estas já chegam bem para ilustrar a necessidade de união das pessoas trans e para o apelo à participação na Marcha do Orgulho de Lisboa 2014.

Para lutarmos pelos nossos direitos.

Grupo Transexual Portugal

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Concurso de cartaz para a 15ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa


Nesta 15ª edição da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, mais uma vez lançamos o desafio à comunidade criativa nacional e internacional para a elaboração dos materiais de divulgação da marcha, com especial enfoque sobre o cartaz. Assim, pedimos a colaboração de todxs xs criativxs profissionais ou amadores na resposta a este concurso.

Quem se pode candidatar:

- Criativxs profissionais, amadores ou indivíduos que trabalhem nesta área e que tenham experiência em trabalhos equiparados.


Requisitos do Produto:

- Cartaz tamanho: 700 x 500 mm;
- Resolução pretendida: 300 a 450 dpi [mín. e máx.];
- Formatos digitais aceites: JPG, TIF, EPS ou PDF;
- Composição gráfica: livre, sob a condição de respeitarem o objectivo do cartaz, ou seja, a divulgação da marcha.

A composição deve incluir os seguintes elementos:

- "15ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa";
- Data e hora de início: 21 de Junho de 2014 às 17h;
- Local de partida/início: "Jardim do Príncipe Real";
- Espaço para os logótipos das associações que constituem a Comissão Executiva;
- O logótipo da MOL (encontra-se no cabeçalho do blog, de onde pode ser copiado, mas pode também ser enviado em maior resolução gráfica a pedido por email).


Data do Encerramento do Concurso

- 17 de Fevereiro de 2014

Outros Detalhes:

- A marcha terá este ano o lema "Diversidade contra a austeridade";
- As propostas deverão ser enviadas até à data de fecho do concurso para o email: marchalgbt@gmail.com;
- Qualquer candidatx poderá enviar um número ilimitado de propostas, desde sejam trabalhos originais e inéditos;
- Cada candidatx deve enviar a/s sua/s proposta/s, juntamente com o seu nome e contactos (email e telefone).

Cada proposta será avaliada após a data de fecho do concurso pela Comissão Executiva. Informamos ainda que, essencial para a submissão é a proposta de cartaz, mas que após a selecção da proposta vencedora, iremos solicitar o apoio dx designer para a realização de elementos de divulgação acessórios mais simples - um banner e um folheto A5, que deverão ter a mesma linha gráfica do cartaz. De qualquer forma, estes elementos podem, se x designer assim o desejar, ser já incluídos na sua submissão inicial.

A Comissão Executiva reserva-se o direito de propor alterações ao cartaz em conformidade com questões estéticas ou conceptuais que considere pertinentes.

Uma vez que a Comissão Executiva é formada por um conjunto de organizações sem fins lucrativos, e que a marcha em si também não tem um carácter lucrativo, informamos que não haverá qualquer prémio monetário neste concurso. No entanto a Comissão Executiva compromete-se a escrever uma carta de recomendação, se solicitada, para aqueles que desejem incluir este trabalho no seu currículo ou portfólio.

Caso haja alguma dúvida ou questão basta contactar-nos para marchalgbt@gmail.com