sexta-feira, 30 de maio de 2014

Convite a artistas - Marcha de Orgulho LGBT de Lisboa

A Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero de Lisboa gostaria de te convidar a dares o teu contributo a esta 15ª vez que saímos à rua em nome da liberdade e diversidade sexual. O lema deste ano é “Diversidade contra a Austeridade”, num reconhecimento de como este tema é transversal a todas as pessoas, afectando de forma particular as diversas minorias que representamos.

Porque a marcha e o activismo queer estão em constante evolução, e porque acreditamos que a marcha pode e precisa de ser revitalizada e desafiada, este ano decidimos convidar artistas para integrarem este evento através de intervenções políticas e/ou lúdicas alusivas ao tema do orgulho e da visibilidade queer+.

Nesse sentido, queremos convidar-te a fazer parte da iniciativa MarchArte - que reune o conjunto de intervenções, performances e artistas associados à marcha deste ano - tornando-a num lugar de mais criatividades, diferenças e perspectivas.

A marcha decorre desde o Príncipe Real até à Praça da Figueira. As intervenções poderão ser feitas em vários espaços da marcha, passando por intervenções pontuais em espaços específicos do percurso, a performances andantes ou apresentações no final da marcha. As possibilidades são variadas e, caso impliquem alguma especificidade a nível logístico, poderão ser discutidas e coordenadas com a comissão.

Os vários colectivos trazem as suas faixas, cartazes, megafones e adereços, e a comissão leva também uma carrinha e um sistema de som. No final do percurso, representantes dos vários colectivos apresentam pequenos discursos, visibilizando as principais questões políticas que defendem.

Dado o carácter voluntário inerente a todo o trabalho da marcha e também dada a ausência de apoios financeiros alocados a esta iniciativa, este evento é desenvolvido todos os anos numa lógica não-remunerada. E isto manifesta-se, desde o trabalho das pessoas da comissão organizadora (voluntárias elas próprias nos diferentes colectivos a que pertencem), até, neste caso, aos artistas que agora convidamos a apresentarem intervenções e performances. Por este motivo, pedimos atenção para o facto de as nossas capacidades logísticas e humanas serem muito limitadas.


Participar na marcha é fundamentalmente participar activamente na luta pelos direitos das variadas minorias associadas ao mundo LGBT+; é lutar por uma maior visibilidade destas pessoas, relações e identidades na esfera pública, e é acreditar que esta luta pode ser feita com entusiasmo, orgulho e festa. É também dizer que não há artes sem liberdade, nem criatividade sem luta pela diversidade de corpos, mentes e identidades. A arte pode ser activismo e o activismo pode fazer-se com as artes.

Estamos abertos às tuas propostas e sugestões de intervenção, contacta-nos até dia 11 de junho. Também podes aparecer sem enviar proposta e juntares-te simplesmente a nós.


Traz a tua arte e vem marchar connosco!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Algumas razões para uma presença trans na MOL 2014

Exigimos uma lei integral despatologizante de Identidade de Género, que pode ser igual e/ou semelhante à Argentina, bem como a fiscalização das avaliações a que as pessoas trans são forçadas a submeterem-se de modo a que sejam regidas não pelos preconceitos pessoais dos avaliadores, como acontece em demasiados casos, mas pelos últimos avanços científicos nestas matérias, enquanto durarem as avaliações forçadas.

Exigimos o fim do boicote feito pelos “especialistas” mais conservadores à lei de alteração de nome e sexo, que à revelia do espírito da lei só passam a declaração necessária para o efeito depois de terem dois relatórios de transexualidade, somam-se os casos em que as pessoas pura e simplesmente não têm o dinheiro necessário para proceder à respectiva alteração, desde que o o governo actual anulou a gratuidade do procedimento. Escusado será dizer que, simplesmente por o serem, as pessoas transexuais são das mais causticadas pelo flagelo do desemprego junto com os desempregados com idades a partir dos quarenta.

Exigimos a imediata cessação da intolerável intromissão da Ordem dos Médicos nos processos de transexualidade, com a autorização para as cirurgias, e o fim do desrespeito médico pelos seus pacientes, bem demonstrado pelo psicólogo Abel no Você na TV no ano passado, e por inúmeros casos diários em que as pessoas trans são invariavelmente tratadas pelo seu nome e género de baptismo num desrespeito total pela sua identidade de género..

Enquanto a transexualidade não for despatologizada, exigimos a imediata cessação de uma segunda avaliação, como acontece presentemente, bem como a imediata cessação da necessidade de autorização da Ordem dos Médicos para as cirurgias, bem como a eliminação imediata da menção no capítulo VIII, artº 72º nº 1: “a cirurgia não garante a satisfação sexual” que priva deste modo as pessoas trans de desfrutarem de uma vida sexual plena e satisfatória, entrando mesmo em contradição com a continuação do mesmo quando estipula que a cirurgia “visa sobretudo contribuir para o equilíbrio psicológico”. Como se sabe hoje em dia não existe equilíbrio psicológico pleno sem uma vida sexual plena e satisfatória.

Exigimos também a descentralização das cirurgias, concentradas presentemente em Coimbra, de modo a permitir que as pessoas trans possam ter acesso às mesmas, coisa que presentemente não acontece por evidentes razões económicas, impossibilitando deste modo o seu acesso, bem como o uso standard das técnicas cirúrgicas desenvolvidas em Portugal, que dão garantias de uma vida futura plena em todas as suas ramificações, para o cumprimento do artº 31º do Código Deontológico da Ordem dos Médicos que estipula a obrigação médica de prestação dos melhores cuidados, o que não acontece presentemente com o uso de técnicas cirúrgicas mais arcaicas e de resultados menos satisfatórios.

Exigimos também o retorno imediato da gratuitidade nos pedidos de alteração de nome e género para que as pessoas trans não sejam impedidas de realizar essa alteração por motivos económicos, o que provoca indiscutíveis situações de discriminaçáo bem como a garantia plena do cumprimento rigoroso do nº 1 do artº 1º da lei 7/2011 que garante a natureza secreta deste procedimento que ainda há bem pouco tempo foi violado pelo jornal Correio da Manhã.

Mais razões haveriam para o efeito, mas estas já chegam bem para ilustrar a necessidade de união das pessoas trans e para o apelo à participação na Marcha do Orgulho de Lisboa 2014.

Para lutarmos pelos nossos direitos.

Grupo Transexual Portugal